// Notícias

-

Ambiente = estilo de vida + programa de treino

Autor: Connect Funcional, postado às 0:12, em

Se fizermos avaliação de movimento em um paciente e encontrarmos disfunções, nossa primeira reação é começar a prescrever exercícios corretivos. Afinal de contas, o organismo está quebrado, certo?

Este não é um instinto incorreto, mas pode ser incompleto. Em vez de considerar apenas a forma como o organismo pode ser melhorado, é importante considerar também a forma como o ambiente do paciente pode estar contribuindo para limitações nos movimentos. Como disse Gray em um post recente, “na minha opinião, se o indivíduo não tem um passado histórico médico ou dor ao movimento, eu o incentivaria a mudar o ambiente em primeiro lugar.”

Nós definimos ambiente como a combinação de “estilo de vida” e “programa de treino”. Nós provavelmente estamos familiarizados com o programa, mas o quanto você sabe sobre o seu estilo de vida? Será que o seu paciente se senta em uma mesa todos os dias? Será que eles se deslocam longas horas em um carro? Eles são viciados em seus smartphones?

Um treinador que prescreve exercícios corretivos sem considerar o estilo de vida é como um nutricionista que escreve um plano de refeições que simplesmente complementa maus hábitos alimentares. A salada de couve fará pouco para compensar o efeito de três refrigerantes por dia, assim como cinco minutos de exercícios corretivos fazer pouco para combater 8 horas debruçados sobre um computador.

Como diz o ditado, “uma grama de prevenção vale um quilo de cura.”

Os dados sobre os riscos à saúde pela maneira que nos sentamos é inequívoco e indiciário. Pode-se argumentar que sentar é o novo fumar. O que é mais preocupante é que a prescrição de corretivos não é suficiente para reverter os efeitos de sentar. Como treinadores e médicos, precisamos focar em remover um comportamento negativo, não apenas adicionar o positivo.

Em um estudo publicado em maio de 2010, no “Medicine and Science in Sports and Exercise”, os pesquisadores descobriram que os homens que passaram mais de 23 horas por semana assistindo TV e sentando-se em seus carros tinham um 64 por cento a mais de probabilidade de morrer de doença cardíaca do que os que estavam sentados por 11 horas por semana ou menos. Essa estatística é alarmante, mas não é particularmente surpreendente. O que foi inesperado, no entanto, foi que os riscos eram relativamente sem relação com o quanto os indivíduos se exercitavam. Muitos dos indivíduos se exercitavam regularmente, mas, em seguida, eles se sentavam por horas e, apesar do exercício intermitente, o risco de doenças do coração disparou. Seus treinos não neutralizaram os efeitos nocivos do sentar. Adicionar um positivo não foi suficiente para neutralizar um negativo.

Em post recente de Gray sobre como melhorar a ergonomia (“Fitness Tips for Desk Jockeys”), ele discutiu maneiras simples para amenizar os efeitos de um estilo de vida sedentário, tais como monitoramento de hidratação, começando o dia com saudação ao sol, e tirando intervalos para caminhada.

Se você e seu cliente tem metas de fitness elevadas, abordar o seu ambiente vai ajudar você a chegar lá também.

Recentemente, a BBC e University of Chester estudaram os efeitos de ficar de pé no nosso local de trabalho, na tentativa de quantificar o benefício potencial para a saúde. O estudo constatou que de pé fez com que os voluntários tivessem uma frequência cardíaca muito maior (cerca de 10 batimentos por minuto superior), que acrescenta-se a queimar cerca de 50 calorias a mais por hora em comparação ao sentar. Ao longo de um ano, o total é cerca de 30.000 mais calorias ou 8 quilos de gordura.

Diz Dr John Buckley da Universidade de Chester, “Se você quiser colocar isso em níveis de atividade, então isso seria o equivalente a correr cerca de 10 maratonas por ano. Só de ficar em pé três ou quatro horas por dia no trabalho.”

Este artigo certamente não é para ser anti-corretiva. A intenção deste artigo é incentivar treinadores e prestadores de serviços médicos a considerar fatores fora de seu ambiente de treinamento que possam estar afetando a saúde e o desempenho do seu cliente. Apesar da séria e bem intencionada ênfase na saúde e fitness, a nossa sociedade pode ser culpada por compartimentar os seus esforços a um intervalo de tempo em nossa agenda diária. Se nossos clientes são sérios sobre se comprometer com estilos de vida mais saudáveis, isso não deve ser algo que eles estão apenas encaixando em sua pausa para o almoço. Vamos analisar como podemos mudar seu ambiente para trazer todos – trainador, terapeuta e cliente – mais perto de seus objetivos.

COMENTÁRIOS